Ana Maria Cemin – 30/06/2026
Aos 44 anos, idade que completará no próximo dia 2 de julho, Ricardo Cardoso de Abreu permanece atrás das grades após uma prisão que seu advogado, Grimoaldo Roberto Resende, classifica como indevida, precipitada e profundamente injusta. O episódio ocorreu na noite da última sexta-feira, por volta das 20h, quando Ricardo visitava o sogro doente na UPA do Aeroporto, em Franca, SP. Minutos depois de chegar ao local, a polícia cercou a unidade de saúde e o levou preso. Nesta segunda-feira, Dr. Grimoaldo Roberto Resende pediu que a Suprema Corte oficie imediatamente a Comarca de Franca para que seu cliente seja solto.
Ricardo, um corretor de imóveis com dois filhos menores – 10 e 17 anos, nem ao menos está em fase de execução penal. Ele cumpria rigorosamente todas as medidas cautelares impostas pelo Supremo Tribunal Federal previstas na AP 1988 e, naquele dia, estava autorizado judicialmente a se deslocar no horário em que foi detido. Mesmo assim, o sistema de monitoramento interpretou a movimentação como descumprimento das cautelares, interpretação que o advogado contesta com firmeza.
ADVOGADO LUTA, MAS SE VÊ IMPOTENTE DIANTE DA MÁQUINA ESTATAL
O advogado Grimoaldo Resende, que desde 8 de janeiro já acompanhou dezenas de casos, demonstra indignação e impotência diante da situação:
“Eles são muito ágeis para prender, mas não são tão ágeis para soltar.”
A frase resume o sentimento de quem, mesmo munido de documentos, autorizações e decisões judiciais, assiste a um cidadão ser encarcerado por uma suposta infração que não ocorreu. Segundo ele, é impossível saber quanto tempo o STF demorará para liberar Ricardo do presídio, por mais que as informações estejam nos autos comprovando o erro da Suprema Corte.
Grimoaldo explica que Ricardo não violou nenhuma medida cautelar. Ele apenas cumpriu o que havia sido autorizado pelo juiz da comarca de Franca. Ainda assim, o sistema de monitoramento do STF entendeu que houve transgressão e determinou a prisão.
A esposa de Ricardo, Tamires Donisete Cassiano de Abreu, de 38 anos, viveu um dos fins de semana mais angustiantes de sua vida. Entre sexta e segunda-feira, ela enfrentou o dilema de não saber se o marido, que não deveria estar preso, teria condições de voltar para casa. Tamires recebeu a notícia da prisão com perplexidade, porque ela sabe que Ricardo não está em fase de cumprimento de pena, possui autorização judicial para o deslocamento, cumpre todas as cautelares impostas e não praticou qualquer ato ilícito. Mesmo assim, viu o marido ser levado como se fosse um fugitivo.
Diante da ação do Dr. Grimoaldo, há uma expectativa real de que ele possa retornar para casa nos próximos dias. Para a família, cada hora é uma eternidade. Para o advogado, é mais um exemplo de como o sistema pode ser rápido para encarcerar e lento para reparar os seus próprios equívocos. Para Ricardo, é a continuidade de uma espera que não deveria existir.
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