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PRESO POLÍTICO CASA POR PROCURAÇÃO 

Ana Maria Cemin – 27/06/2026

Antes da prisão, Cezar e Valquíria sonhavam com coisas simples. E justamente por isso tão valiosas. Queriam casar, montar sua casa, ter filhos, construir o pequeno mundo que só quem ama compreende. A vida deles estava pronta para começar.

Tudo, porém, foi interrompido de forma abrupta por ordem da Suprema Corte brasileira. Cezar havia ido a Brasília, no início de janeiro de 2023, para participar de uma manifestação de protesto contra a eleição de Lula.

Desde que foi preso, Valquíria viu cada plano se desfazer: Cezar perdeu o trabalho, perdeu a moto, perdeu a casa. E ela perdeu a própria vida.

“Eu parei de viver para mim. Estou vivendo para ele”, afirma.

A depressão veio forte, derrubou, aposentou, deixou marcas profundas. Mesmo assim, ela segue, porque amar também é resistir, e ela sabe que não pode se entregar. Precisa lutar pela liberdade de Cezar.

Hoje, sua rotina gira em torno das visitas, das idas à penitenciária, das tentativas de garantir que ele receba o tratamento de que necessita. Ela não pode trabalhar, não pode assumir horários fixos, não pode planejar o amanhã.

Sua vida está suspensa, como se estivesse presa junto com ele.

Eles chegaram a se casar, mas por procuração. Enquanto outros casais entravam juntos no cartório, vestidos, sorrindo, ela estava ali sozinha, assinando papéis que deveriam simbolizar alegria, mas carregavam ausência e dor. “Foi muito triste. Isso ficou marcado para sempre na minha memória.”

É uma família inteira adoecendo enquanto espera. E aqui tocamos num ponto essencial: não se trata apenas de um preso. Estamos relatando que um inocente cumpre uma longa pena em presídio. Falamos de uma mulher que perdeu tudo, inclusive a saúde. Contamos a história de uma adolescente que vive sem o pai. Denunciamos um sistema que falha, que pune pessoas comuns por discordarem da forma como o Brasil vem sendo conduzido. São vidas pagando um preço alto pela fúria de quem detém o poder governamental.

LEIA A REPORTAGEM QUE ESCREVEMOS SOBRE ESSE PRESO 

👉 www.bureaucom.com.br – “Preso sem tratamento, filha sem amparo”

RESUMO – José Cezar Duarte Carlos está preso na Penitenciária Nelson Hungria, em Minas Gerais, e foi diagnosticado com Transtorno Afetivo Bipolar, delírios e alucinações. Apesar de possuir diversos laudos que comprovam a necessidade de tratamento psiquiátrico contínuo, em ambiente doméstico, permanece no presídio por ter participado da manifestação do 8 de janeiro. Não vandalizou, não portava arma, assim como muitos outros manifestantes, mas foi tratado como golpista.

Um laudo recente, solicitado pelo ministro Alexandre de Moraes, confirmou que a penitenciária não possui estrutura para oferecer o tratamento adequado ao quadro de Cezar. Mesmo assim, pedidos de prisão domiciliar foram negados sob a justificativa de que haveria suporte do CERSAM — o que, segundo a esposa, não corresponde à realidade.

Valquíria Mendes Xavier denunciou que um laudo favorável à prisão domiciliar teria sido alterado após uma segunda avaliação, desta vez realizada com a presença do diretor de ressocialização da penitenciária, o que ela interpreta como pressão sobre o médico.

Além do sofrimento de Cezar, há o impacto direto sobre a filha adolescente, que enfrenta problemas de saúde semelhantes aos do pai e vive em situação de vulnerabilidade.

José Cezar está preso desde 06/06/2024, após operação da Polícia Federal que deteve mais de 200 manifestantes dos atos de 8 de janeiro, sob alegação de risco de fuga. Hoje já cumpre a pena de 14 anos.

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