Ana Maria Cemin – 09/09/2026
“Se não conseguirmos a domiciliar, nós podemos perder as Regina”. Essa frase abriu a minha conversa com a Dra. Ana Sibut na noite de terça-feira, dia 8 de setembro. A advogada estava se referindo a técnica contábil Regina Teixeira de Carvalho, de 57 anos, que se tornou uma apenada e foi presa em 29 de julho passado para cumprir uma pena de quase 14 anos de prisão.
“Ela está muito doente, com hemorragia uterina associada à miomatose, hipertensão arterial sistêmica. Ela precisa de acompanhamento médico contínuo e especializado”, explicou a advogada, que agora luta nos autos para salvar Regina, pedindo uma avaliação de junta médica e prisão domiciliar humanitária.
A defesa já havia solicitado a domiciliar e o ministro Alexandre de Moraes, na data de 26 de agosto passado. O relator dos casos do 8 de janeiro, ao invés de aceitar a domiciliar determinou que, num prazo de cinco dias, Regina fosse submetida à junta médica para avaliação clínica para saber se a apenada pode ser acompanhada na sua saúde dentro do presídio.
Isso não aconteceu!
DESUMANIZAÇÃO DA RÉ DO 8 DE JANEIRO
A defesa foi surpreendida com uma resposta da Penitenciária Feminina de Ribeirão Preto, SP, que apenas informava a transferência de Regina, na data de 2 de setembro, para o Centro de Ressocialização de São José do Rio Preto, SP.
“Nenhuma informação sobre junta médica foi colocada nos autos. E nesse período, a sua saúde piorou muito, tanto que foi necessário atendimento externo”, revela Dra. Ana Sibut.
Com as complicações de saúde, Regina foi atendida na UPA Sul de Ribeirão Preto e, por mais absurdo que pareça, o registro médico informou que ela se encontrava sem medicação.
“Agora temos documentação médica oficial produzida por serviço público, onde consta que ela tem sofrido sangramentos anormais no período de encarceramento. É urgente que a junta médica faça avaliação para que possamos ter uma prisão domiciliar por razões humanitárias”, alerta a advogada, demonstrando grave preocupação com a integridade física da apenada dentro do presídio.
Em tempo: O crime da técnica contábil foi estar na manifestação em Brasília, em janeiro de 2023, em protesto à eleição de um “descondenado” à Presidência da República. Até então, protestos não eram tratados como “Golpe de Estado” no Brasil, mas um direito previsto no regime democrático.
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