Ana Maria Cemin – 4 de setembro de 2026
Nove dias após o anúncio de seu alvará de soltura, divulgado em 26 de agosto, a brasileira Sirlene de Souza Zanotti, presa a pedido do governo brasileiro na Argentina desde o início de dezembro do ano passado, continua atrás das grades. Apesar da expectativa criada pela decisão judicial, ela afirma que permanece encarcerada e que não há previsão oficial para sua liberação. E mais: redigiu uma carta explicando que, quando ocorrer, a saída não significará liberdade plena, porque será transferida para prisão domiciliar dentro da Argentina, sob rígidas restrições.
Em carta enviada a mim, jornalista Ana Cemin, Sirlene relatou que vive entre criminosas, em constante estado de alerta, com dores intensas, crises de ansiedade e deterioração de sua saúde física e mental. Ela denuncia a demora na conclusão do relatório necessário para sua transferência à prisão domiciliar e afirma que seu advogado, Pedro Gradin, já acionou a Justiça e o CONARE diversas vezes, sem obter resposta. “Sairei de uma prisão para outra”, escreveu, destacando que a prisão domiciliar a impedirá de trabalhar e de garantir sua própria subsistência.
O drama é confirmado por uma amiga próxima, que descreveu o desespero da manifestante em ligação feita a mim às 20h58 de 3 de setembro de 2026. Segundo ela, o atraso na emissão do relatório repete o que ocorreu com outro preso do 8 de janeiro, Wellington Firmino, que também passou por Ezeiza antes de ir para prisão domiciliar. No caso dele, houve um longo atraso no relatório para troca de endereço da prisão domiciliar. Firmino ficou dias isolado em uma casa sem fogão, sem geladeira, apenas com um colchão, dependendo de terceiros para comer. “Foi horrível”, relata.
A amiga, que não deseja revelar o nome, afirma que Sirlene vive situação semelhante: “Ela ainda não saiu do presídio na Argentina, nove dias após o anúncio do alvará de soltura. O advogado diz que o relatório não ficou pronto. Agora ela está desesperada, com muitas dores, em crise de ansiedade, sem conseguir dormir porque a liberação nunca chega. O estado de saúde dela está piorando; ela está muito mal e receosa por sua vida, pois está presa com criminosas. Ela continua pedindo socorro e não é ouvida.”
Infelizmente, a situação de Sirlene expõe a contradição entre o anúncio oficial de soltura e a realidade vivida pela presa, além de levantar questionamentos sobre a morosidade burocrática, as condições de encarceramento e os limites da chamada “prisão domiciliar” aplicada a manifestantes brasileiros na Argentina. Outros quatro brasileiros vivem em prisão domiciliar no país vizinho: Joelton Gusmão de Oliveira, Ana Paula de Souza, Rodrigo de Freitas Moro Ramanho, além de Firmino, já citado. Essas pessoas dependem totalmente da ajuda de terceiros para sobreviver, uma vez que estão impedidos de ultrapassar a porta das residências até que seja definido se receberão asilo político ou serão extraditados para o Brasil, como requereu o governo Lula.
Sirlene ficou presa oito meses no Presídio Colméia no Brasil, por ter se manifestado contra o Governo Lula em 8 de janeiro. Mesmo sem provas, foi acusada de Golpe de Estado Armado e optou ir embora do Brasil para recomeçar a vida longe da prisão, destino de quem foi considerado “golpista” pela PGR e STF. Depois de meses trancada em casa na Argentina, resolveu comprar material para começar a trabalhar e ter renda, optando por fazer essas compras no Paraguai. Ao tentar sair, foi presa em Posadas (Misiones). A grande preocupação de Sirlene, ainda presa no Ezeiza, é como sobreviverá na prisão domiciliar na Argentina sem poder trabalhar pelo seu sustento.
Confira a última carta que recebi:


MAIS INFORMAÇÕES SOBRE SIRLENE:
A primeira carta de Sirlene publiquei em 22.08.2026 e quatro dias depois saiu o alvará de soltura conforme você pode ler a seguir.
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