Lucy assistiu à condenação de seu filho Thiago pelo STF

Ana Maria Cemin – Jornalista

22/09/2023 – (54) 99133 7567

Lucy Dalva de Assis Mathar, 65 anos, tem dividido a sua vida entre a sua cidade Votuporanga, SP, e Brasília, DF, desde que seu filho Thiago de Assis Mathar, 43 anos, foi preso por se manifestar na capital federal no dia 8 de janeiro. Conversei com ela no dia 22 de setembro, depois dela voltar de uma estadia de 38 dias em Brasília, para onde foi com o objetivo de visitar o filho a cada quinze dias no Presídio Papuda, além de assistir o julgamento que o condenou a 14 anos de prisão, realizado pelo Supremo Tribunal Federal no dia 14 de setembro. Lucy vai para Brasilia regularmente e não pensa em deixar de fazer, se necessário. Visivelmente abalada com o resultado do julgamento, por saber que o seu filho é um homem honesto e jamais depredaria ou agiria contra o patrimônio público, ela me concedeu a entrevista que tem por objetivo mostrar quem é o seu filho. A próxima ida a Brasília, ela me conta, está agendada para 5 de outubro. “Não vou abandonar o meu filho e quero que ele saiba que estou por perto”, afirma.

Para ver o filho, a mãe tem viajado com frequência a Brasília. As visitas são permitidas a cada 15 dias.
Lucy viaja cm frequência a Brasília para poder visitar o filho no Presídio Papuda

Lucy mora em Votuporanga, SP, é mãe de três filhos, sendo que Thiago é o mais velho. Ela o descreve como uma pessoa muito quieta, calada e de bom comportamento. Estudou em escola adventista a vida escolar inteira e nenhuma reclamação veio de lá. Depois ingressou na Faculdade de Engenharia Florestal em Garça, SP, porém um ano antes de concluir os estudos preferiu voltar para casa e trabalhar com o pai no Porto de Areia, negócio que sustenta a família até hoje.

Em Garça, Thiago conheceu a esposa Vanessa, com quem namorou por 10 anos antes de constituir família. Mais recentemente saiu da empresa do pai para morar em São José do Rio Preto e ficar mais perto das rotinas da esposa e dos filhos, pois ele passava a semana no trabalho e só ia para casa nos finais de semana. O casal Thiago e Vanessa tem dois filhos: Anibal, de 6 anos, e Samira, de 4 anos.

“Eu assisti ao julgamento do meu filho no dia 14 e muita coisa errada foi dita. Teve quem falasse que ele mora em Penápolis, SP, e que ele é produtor rural. Não é nada disso. Estão fazendo confusão por ele ter embarcado em um ônibus de Penápolis que foi a Brasília, porque o de São José do Rio Preto estava lotado naquela sexta-feira, dia 6 de janeiro”, diz a mãe de Thiago, e continua: “O ministro Moraes utilizou palavras duras para chamar o meu filho de arruaceiro utilizando como exemplo um fato antigo, de quando ele morava numa república em Garça, durante a faculdade. Os rapazes assaram um churrasco e fizeram muito barulho e a vizinhança chamou a polícia. Os meninos na faixa dos 18 anos foram presos e pagaram com serviço comunitário. Algo de décadas atrás foi levantado como um caso grave de passagem na polícia. Não faz o menor sentido.”
Lucy, o filho Thiago e o neto Anibal

SEM CELULAR NO PLANALTO

Thiago, ao ser preso pela Polícia Federal, estava sem a mochila, documentos ou celular. Tudo estava dentro de um ônibus, que ficou estacionado junto à Granja do Torto.  “Uma pessoa que foi presa pelo Inquérito 4921, ao sair do presídio trouxe a mochila e o celular para nós. Isso foi ainda por abril ou maio”, relata.

“Meu filho foi até o Planalto e quando entrou estava tudo depredado e ele foi andando por lá. No julgamento, disseram que ele entrou na sala do Lula, só que na sala do Lula ninguém entrou, porque as testemunhas disseram que estava trancada. Então isso é mais uma mentira. Thiago me disse que podem fazer teste para tentar identificar as digitais dele e não encontrarão, porque ele não tocou em nada. A exceção ficou apenas no uso do banheiro. Eles mentiram muito no depoimento dele”, relata a mãe.

Em conversa com o filho no presídio, Thiago disse para a mãe “que é a palavra deles contra a minha”. Contou que na Delegacia foi obrigado a assinar um documento sem direito a ler o papel onde ele admite que era favorável à intervenção militar. “Thiago sempre foi verdadeiro desde a infância. Não é de mentir. E ele me falou que está sendo acusado de um monte de coisa que ele não fez. Ele viu muita gente revoltada dentro do prédio, gritando e incitando, mas ele entrou por curiosidade e quando foi sair não conseguiu. Foi preso”, comenta.

“Ele chegou na praça com uma bandeira com mastro, mas na barreira policial o mastro ficou e ele amarrou a bandeira no pescoço. Lá no prédio, quando a polícia passou a agir contra os patriotas, mandaram ele se deitar com a barriga no chão. Então o comandante perguntou quem seria o primeiro a se entregar e ele logo se levantou, foi algemado e serviu de exemplo para a mídia em geral. Muitas fotos dele saíram na imprensa”, narra. 

SURPRESA PARA TODA A COMUNIDADE

“Aqui em Votuporanga, onde Thiago foi criado, todo mundo não acredita no que está acontecendo. Vários vieram à nossa casa e recebi muitas ligações solidárias. E a avaliação é sempre a mesma: ele é tão educado, tão quietinho, quase nem conversa. Como foi acontecer uma coisa dessas com ele?”, relata.  “A nossa família toda foi afetada pelas ações do STF. Eu tenho uma nora maravilhosa, a Vanessa, e os meus netinhos que não sabem, ainda, o que aconteceu com o pai deles, porque a gente não contou. O meu neto Anibal me diz: “Vovó, o meu pai foi lá morar com o Lula” ou “Eu vi os aviões jogando bombas e meu pai morreu!”. Ele está com crise de ansiedade. Chega da escola todo dia e a primeira coisa que ele faz é olhar atrás das portas para ver se o pai está escondido para fazer uma surpresa para ele”.

“O Thiago me disse nessa última vez que estive no Papuda que é importante contar tudo para as crianças. Ele quer que a sua história seja contada para os filhos, apesar de ser muito dura. As crianças precisarão de psicólogos, eu sei. Anibal tem feito fonoaudiologia com frequência por ter dificuldade de fala, mas agora teremos que agregar esse tratamento para as emoções. Ele está muito abalado.”

“O Thiago é uma pessoa muito positiva, ele só não se conforma de pagar por aquilo que ele não fez, enquanto aqueles que efetivamente quebraram não foram julgados. Ele não entende por que tantas pessoas têm que pagar pelos erros de alguns.”   

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