Ana Maria Cemin – 21/08/2026
Pouco depois das 20 horas desta sexta-feira, a advogada Tanieli Telles recebeu a ligação que esperou por anos. Do outro lado da linha, um oficial de justiça informava: o alvará de soltura de Manoel Messias Pereira Machado havia sido expedido. A reação foi imediata. “Estou me desmanchando em lágrimas”, escreveu ela, tomada pela emoção de uma luta que atravessou quase quatro anos.
Messias foi preso em 8 de janeiro de 2023 e nunca mais saiu da prisão, apesar de o ministro Alexandre de Moraes ter homologado, em 12 de janeiro de 2026, sua progressão ao regime semiaberto. A progressão, porém, jamais aconteceu. Ele permaneceu no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, como se ainda estivesse em regime fechado .
A ADVOGADA RELEMBRA A TRAJETÓRIA

“Estou muito feliz. Foram anos de trabalho, em conjunto com o Instituto Gritos de Liberdade, na pessoa da Dra. Ana Sibut, lutando para levar ele para casa, para cuidar dos dois filhos menores. Deus seja louvado! Tinha chamada de vídeo marcada para segunda-feira, mas para honra e glória de Jesus, ele está voltando para casa, depois de 3 anos e 7 meses de uma prisão e condenação injusta! Celebro, pois é um inocente a menos na prisão”, disse Tanieli, emocionada.
Os filhos, que cresceram vendo o pai apenas por telas e visitas restritas, finalmente poderão abraçá-lo. Na época da prisão, a filha estava com 12 anos e o filho com 14 anos. Confira as cartinhas que enviaram para o pai preso naquela ocasião.


Desde janeiro de 2026, quando Moraes homologou 38 dias de remição e autorizou a progressão ao semiaberto, a defesa passou a cobrar a transferência para unidade compatível com o novo regime.
Em 4 de fevereiro, Messias informou ao STF que nada havia sido cumprido. Continuava preso em regime fechado, sem justificativa. A defesa pediu esclarecimentos urgentes, apontando possível constrangimento ilegal.
O homem por trás do processo
Messias, hoje com 42 anos, cumpriu 4 anos, 3 meses e 17 dias de pena, 264 dias de remição, de uma pena total de 13 anos e 6 meses. Regime: semiaberto, nunca implementado.
A defesa também precisou solicitar autorização para que sua filha menor pudesse visitá-lo, acompanhada do irmão, um pedido simples que se tornou mais um capítulo da burocracia que o manteve longe da família.
Diante da sequência de omissões, Moraes concluiu que as “circunstâncias específicas do processo” justificavam a concessão da prisão domiciliar, mesmo com a execução definitiva em curso.
A decisão reconhece que o Estado falhou em garantir condições mínimas para o cumprimento da pena. Quando o sistema não cumpre sua parte, o STF pode intervir para evitar que o apenado permaneça em situação ilegal.
No entanto, Messias deixará a Papuda sob medidas rigorosas com uso de tornozeleira eletrônica, proibição de redes sociais, proibição de contato com outros envolvidos nos atos de 8/1 e restrição de visitas. Seguirá preso em regime fechado, porém dentro de casa.
O importante é que desde 8 de janeiro de 2023, ele voltará para casa.
Um final que é também um recomeço
Para Tanieli, para os filhos de Messias e para todos que acompanharam o caso, a noite de 21 de agosto de 2026 marca o fim de uma espera dolorosa. “Os filhos vão poder abraçar o pai depois de tanto tempo”, disse a advogada, ainda chorando.
Messias sai da prisão, mas não da história. Sua trajetória expõe as falhas de um sistema que deveria garantir justiça, não prolongar injustiças. E sua liberdade parcial, conquistada depois de 3 anos e 7 meses, é também um lembrete de que, às vezes, é preciso lutar muito para que o óbvio seja cumprido. Como dizem os familiares e presos políticos da Era Lula: “Ainda estamos aqui!”.
Ser você desejar conhecer um pouco mais, publiquei uma matéria sobre Messias e a família no dia 4 de dezembro de 2023, com o título Preso político Messias está no Papuda há 11 meses.
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