Ana Maria Cemin – 16/04/2026
Em conversa com Elisângela na tarde de hoje, esposa de José Ricardo Fernandes Pereira, atualizei a situação do marido — no final deste texto há indicação de duas outras matérias relacionadas. José Ricardo está preso há 22 meses no Centro de Ressocialização de Lins (RS). Ele havia viajado a Brasília para participar da manifestação de 8 de janeiro e, ainda naquele dia, foi detido e levado ao Complexo Penitenciário da Papuda. Retornou para casa em 7 de agosto de 2023, usando tornozeleira eletrônica. Menos de um ano depois, ao amanhecer de 6 de junho de 2024, a Polícia Federal voltou à sua porta e o levou novamente.
Condenado a 14 anos, por associação criminosa armada — mesmo sem jamais ter tido contato com armas — e outros crimes, José Ricardo enfrenta depressão profunda, e sua defesa pede a concessão de prisão domiciliar.
Há menos de um mês, uma nova esperança surgiu para Elisângela e sua família. Depois de meses de angústia, silêncio e sofrimento crescente, a chegada da advogada Kelly Spindola à equipe de defesa reacendeu algo que já estava quase apagado.
Elisângela tem vivido momentos extremamente difíceis. Além de lidar com a ausência do marido, carrega sozinha a responsabilidade de criar os três filhos — dois jovens de 19 e 17 anos e uma menina de 13. José Ricardo, profissional exemplar e bem remunerado, perdeu o emprego logo após a primeira prisão em Brasília. Desde então, é Elisângela quem sustenta a casa com seu trabalho na área financeira. A família do marido tem sido fundamental, ajudando com despesas como a escola da filha e outros custos decorrentes da prisão.
Elis — como a chamo — se emociona ao relatar o peso que carrega e a tentativa de dividir essa carga com o marido durante as visitas de domingo. Mas ela mesma reconhece: não é a mesma coisa. Ele não está presente no dia a dia, e os filhos quase não têm contato com a figura paterna. As consequências já apareceram.
“Eu nem tinha percebido que os meus filhos não estavam bem, que algo dentro deles se quebrou com a prisão do pai. Mesmo explicando racionalmente que estamos vivendo uma grande injustiça, que isso vai passar, porque tenho fé de que essa perseguição vai cessar, hoje sei que eles estão abalados. O emocional tem pesado muito na vida dos três, e eu faço o meu melhor, mesmo sabendo que não posso tudo.”
A família se apoia agora nessa nova luz trazida pela Dra. Kelly, cujas ideias e ações têm feito diferença concreta.
“A Dra. Kelly conversa com o meu marido virtualmente dia sim, dia não. Nessas conversas, ele tem pedido atendimento médico e psicológico, além de outras providências. Eles falam a mesma língua. O José Ricardo já tinha histórico de depressão antes do 8 de janeiro, mas agora está muito forte. Ele usa medicação, mas nunca foi atendido por especialistas dentro do presídio desde que foi preso”, relata Elisângela.
Ela faz questão de destacar a importância da nova advogada e da esperança que ela trouxe, especialmente para o marido, que finalmente tem recebido atenção profissional adequada.
A defesa está providenciando toda a documentação necessária para as remições possíveis, o que pode permitir a progressão de regime.
“Nós o queremos de volta em nosso lar. É muito injusto manter um inocente preso. Ele é a pessoa mais honesta que eu conheço. É a melhor pessoa que eu conheço, e está passando por tudo isso. Tudo o que eu quero é tirar ele de lá”, conclui.
Informações sobre o caso
Nome: José Ricardo Fernandes Pereira
Condenação:
- Pena total: 14 anos
- 12 anos e 6 meses de reclusão
- 1 ano e 6 meses de detenção
- Regime inicial fechado
- 100 dias-multa
Contexto de saúde:
- Depressão pós-traumática desde a prisão em 08/01/2023
- Quadro agravado após a morte repentina da mãe
- Impactos psicológicos significativos nos filhos
- Documentos médicos anexados aos autos
Ações da defesa:
- Pedido de prisão domiciliar por motivos de saúde (23/10/2025), indeferido
- Requerimento de atendimento por profissionais particulares (30/03/2026), com solicitações de:
- Atendimentos regulares e contínuos
- Avaliação clínica completa com emissão de relatórios e laudos
- Expedição de ofício à unidade prisional para viabilizar os atendimentos
- Comunicação imediata ao juízo em caso de recusa ou obstáculos
- Apreciação urgente, diante do risco de agravamento
- Possibilidade de condições operacionais que não prejudiquem o tratamento
- Pedido de remição da pena (13/04/2026)
Fundamento central: Garantia do direito fundamental à saúde e prevenção do agravamento do quadro depressivo.
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