Ana Maria Cemin – 25/04/2026
O advogado Paolo Fabrício Golo Tinti confirmou que seu assistido, Samuel de Faria, foi agredido por outro detento na Penitenciária do Distrito Federal IV, no Complexo da Papuda. Samuel cumpre pena de 17 anos, fixada pelo Supremo Tribunal Federal, após ser condenado por cinco crimes relacionados aos atos de 8 de janeiro, entre eles golpe de Estado e associação criminosa armada (ele e os demais manifestantes não portavam armas em 8 de janeiro e nem tinham qualquer aceno das Forças Armadas para um golpe de estado). Ele é instrutor de voo livre e tem um filho de 5 anos.
Em conversa com Pérola Tuon, o advogado relatou que teve uma videoconferência com Samuel neste sábado (25/04/2026). Na chamada, Samuel confirmou a agressão e disse acreditar que o episódio tenha sido motivado por ciúmes de outros detentos, em meio à repercussão da votação prevista para 30 de abril, que pode derrubar o veto do presidente Lula ao projeto de lei da dosimetria, aprovado no ano passado pelo Congresso Nacional.
Paolo Tinti disse a Pérola que, diante do risco de novas agressões, entrará com pedido de prisão domiciliar. Caso a medida não seja aceita pelo relator, ministro Alexandre de Moraes, a defesa solicitará a transferência de Samuel para um local mais seguro. “É complicado mantê-lo nesse local e deixar que seja agredido uma segunda vez. Vamos fazer o pedido imediatamente nos autos”, afirmou.
Evandro Brasileiro, pai de Lucas Brasileiro, esteve no presídio de Brasília para visitar o filho e comentou o caso. Segundo ele, foi solicitado que Samuel receba proteção para evitar que o episódio se repita.
Samuel iniciou o cumprimento da pena em março de 2025 e, antes disso, estava em prisão preventiva no CDP. Ao todo, Samuel está preso há mais de dois anos. A unidade onde ele se encontra preso acumula denúncias de violência, superlotação e condições degradantes de encarceramento. Relatórios de órgãos de fiscalização e decisões judiciais já apontaram episódios de agressões físicas, uso abusivo da força e violações de direitos dentro do complexo prisional.
A defesa de Samuel tem apresentado petições ao Supremo Tribunal Federal ao longo da execução penal, mas pedidos foram negados. O caso segue em acompanhamento judicial, enquanto o detento permanece no regime fechado, submetido às condições estruturais e de segurança da Papuda, frequentemente alvo de críticas e investigações.
Segundo a defesa, o que levou Samuel a ser condenado a 17 anos foi sua presença dentro do Senado no dia 8 de janeiro, registrada em um vídeo feito em seu celular. Ele foi preso ainda em 2023 e, desde então, o advogado sustenta que ele não cometeu crime nem depredou o local. A defesa afirma que Samuel entrou no prédio pela rampa, após vistoria policial, e que teria ido ao local para usar o banheiro.
Ainda conforme o relato apresentado, ele disse ter feito um tour guiado, em áreas demarcadas e sob escolta policial, e admitiu ter gravado vídeos no local. Também afirmou que encontrou uma máscara com o brasão da República e que a utilizou, retirando-a quando soube que estava ao vivo no canal de notícias CNN.
Samuel também afirmou que, ao sair do prédio, tudo estava em ordem no Senado e que o policiamento era amigável com os manifestantes. Segundo ele, isso coincide com depoimentos de outros condenados que estavam no local e foram presos ainda no dia 8 de janeiro. Os relatos dão conta que a postura do policiamento do Senado teria mudado na segunda metade daquela tarde, quando os manifestantes foram levados ao complexo penitenciário.
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