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FIM DA PERSEGUIÇÃO DE BELA! STF ARQUIVA PROCESSO

  1. ORIGEM, INFÂNCIA, ABUSO SOFRIDO NA INFÂNCIA E INÍCIO DO ATIVISMO POLÍTICO POR MEIO DO MOVIMENTO REVOLTADOS ONLINE.

15/12/2015 – Bela com Bolsonaro

Visita ao Bolsonaro após saída do hospital em função da facada de 2018

 

 

Bela assinou no forum todas as segundas-feiras, no período de liberdade provisória.

 

 Acho que hoje consigo separar melhor as coisas.

Durante muito tempo, convivi diretamente com pessoas influentes dentro da direita. Frequentei gabinetes, participei de campanhas, organizei mobilizações e mantive contato próximo com lideranças políticas.

Naturalmente, quando você passa anos trabalhando ao lado de determinadas pessoas, cria expectativas em relação a elas.

E uma das maiores lições que aprendi foi justamente não criar essas expectativas.

Eu sabia que muitas delas tinham conhecimento da situação que estávamos vivendo.

Não estou falando de obrigação jurídica ou política.

Estou falando de humanidade.

Houve momentos em que algumas pessoas sabiam exatamente onde eu estava, conheciam as dificuldades que eu enfrentava e, ainda assim, optaram por se afastar completamente.

Isso foi doloroso.

Principalmente no Paraguai.

Porque houve dias muito difíceis.

Dias em que faltava dinheiro.

Dias em que faltava comida.

Dias em que não sabíamos o que aconteceria no dia seguinte.

E, mesmo assim, muitas pessoas que conheciam a situação simplesmente desapareceram.

Ana Cemin: Tu chegastes a receber alguma ajuda?

Bela: Sim, mas em alguns casos ela veio muito tarde.

Houve situações em que determinados aliados entraram em contato quando eu já havia tomado a decisão de voltar ao Brasil.

Quando isso aconteceu, sinceramente, eu já não precisava mais.

Durante meses eu havia enfrentado tudo aquilo praticamente sozinha.

Por isso, naquele momento, aquelas ofertas perderam completamente o sentido para mim.

Ana Cemin: Tu ainda acreditas na política?

Bela: Acredito.

Mas acredito de uma forma diferente.

Antes, talvez eu acreditasse mais nas pessoas.

Hoje acredito muito mais nos princípios.

Pessoas falham.

Pessoas erram.

Pessoas mudam.

Princípios não.

É por isso que continuo defendendo as ideias em que acredito, independentemente dos nomes que estejam ocupando os cargos.

Ana Cemin: O que pensas quando olha para tudo o que viveu desde 2022?

Bela: Vejo uma sequência de acontecimentos que me transformaram profundamente.

Foi um período em que perdi muita coisa.

Perdi estabilidade.

Perdi patrimônio.

Perdi amizades.

Perdi a sensação de segurança que tinha anteriormente.

Mas também ganhei outras coisas.

Ganhei maturidade.

Ganhei experiência.

Ganhei uma compreensão muito maior das pessoas.

E fortaleci minha fé.

Ana Cemin: Existe algum momento específico nessa trajetória que não dá para esquecer?

Bela: Vários.

Alguns ficarão para sempre comigo.

A noite em que descobri que havia um mandado de prisão contra mim.

O dia em que deixei o Brasil.

A prisão da minha colega dentro do órgão de refúgio no Paraguai.

A chegada à Colmeia.

A carta que escrevi para Deus.

O momento em que recebi o alvará de soltura.

O nascimento do meu filho.

São acontecimentos que marcaram minha vida para sempre.

Ana Cemin: Tu te consideras uma sobrevivente?

Bela: Talvez.

Mas gosto mais da palavra “reconstrução”.

Porque sobreviver é apenas continuar existindo.

E eu não fiz apenas isso.

Eu reconstruí minha vida.

Reconstruí minha relação com a fé.

Reconstruí minha família.

Reconstruí minha carreira.

Ainda existem coisas sendo reconstruídas.

Sigo caminhando.

Ana Cemin: Qual a mensagem que tu queres passar?

Quando eu estava escondida.

Quando estava no Paraguai.

Quando estava na prisão.

Houve momentos em que parecia não existir saída.

Mas existia.

Às vezes ela apenas não era visível naquele instante.

Por isso digo que ninguém deveria tomar decisões baseado apenas no que está vendo naquele momento.

A vida muda.

As circunstâncias mudam.

As pessoas mudam.

E Deus continua trabalhando mesmo quando a gente não consegue enxergar.

Essa é a principal mensagem que ficou para mim.

Eu tenho esperança mais do que nunca.

Porque a esperança não está baseada em políticos, processos ou circunstâncias.

Está baseada naquilo que eu vivi.

E depois de tudo o que aconteceu, se tem algo que ninguém consegue tirar de mim, é justamente isso.

A esperança.

 

 

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