Ana Maria Cemin – 12 de agosto de 2026
Ronaldo Edison Richard, gaúcho de Santa Rosa, morreu em 10 de agosto de 2026, aos 63 anos, enquanto ainda respondia a uma ação penal na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal. Nunca esteve em Brasília. Mesmo assim, por ter ajudado a organizar ônibus que levariam manifestantes ao ato de 8 de janeiro de 2023, a Polícia Federal esteve em sua casa em 8 de janeiro de 2024, cumprindo busca e apreensão que resultou em seu indiciamento como financiador de um golpe de Estado que jamais ocorreu. Richard tornou‑se o 11º falecido entre os perseguidos pelo Governo Lula.
O PROCESSO QUE O ACOMPANHOU ATÉ A MORTE
A vida de Richard se desestruturou desde então. Ele foi investigado no Inquérito 13.262, junto com Marcos André Cardoso, e ambos acabaram denunciados por cinco crimes relacionados aos atos do 8 de janeiro: associação criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado ao patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado. A denúncia foi aceita integralmente pelo STF, transformando o caso na Ação Penal 2711.
Com o processo instaurado, seus bens foram bloqueados e a instrução criminal avançou até a conclusão. O interrogatório ocorreu em 25 de novembro de 2025. As partes foram intimadas a requerer diligências previstas no artigo 402 do Código de Processo Penal, mas nenhuma foi solicitada. Em 18 de fevereiro de 2026, o ministro Alexandre de Moraes determinou a apresentação das alegações finais e requisitou certidões de antecedentes criminais — etapa padrão antes da sentença.
Assim, quando morreu, Richard ainda era réu, sem condenação. A ação estava na fase final, aguardando apenas as alegações finais e, depois, a sentença. Ele faleceu 3 anos e 7 meses após o 8 de janeiro, um dia que, para muitos, nunca terminou.
O QUE ELE FEZ PARA SER ACUSADO DE CINCO CRIMES?
A resposta está nos autos da Ação Penal 2711. Segundo a investigação, diálogos encontrados em seu celular, entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023, mostram pedidos de ajuda financeira para custear um veículo que levaria manifestantes de Santa Rosa a Brasília.
Conversas sobre locação de ônibus passaram a ser interpretadas como prova de mobilização organizada, com captação de recursos e logística estruturada. Com base nisso, o Ministério Público sustentou que Richard teria contribuído de forma relevante para o plano criminoso, justificando a imputação dos cinco delitos.
No Brasil pós‑posse de Lula, reunir pessoas para alugar um ônibus virou motivo para acusação de golpe de Estado.
OS OUTROS DEZ FALECIDOS
1. Antônio Marques da Silva
Operador de máquinas em Barra do Garças (MT). Morreu em 29/10/2023 após cair de um telhado enquanto fazia um “bico”. Com tornozeleira, não podia trabalhar na profissão original.
2. Clériston Pereira da Cunha
Morreu em 20/11/2023 dentro da Papuda. O Ministério Público já havia pedido sua liberdade provisória, não atendida pelo ministro Alexandre de Moraes. É o caso mais emblemático.
3. Giovanni Carlos dos Santos
De São José dos Campos (SP). Morreu em 24/01/2024 ao cair durante um serviço temporário de corte de galhos. Usava tornozeleira e tinha restrições de trabalho.
4. Eder Parecido Jacinto
Caminhoneiro. Após cair do próprio caminhão no fim de 2023, desenvolveu complicações graves: fratura, problemas renais, hemorragia, falência hepática. Morreu em 02/03/2024 após semanas de internação.
5. Kleber Freitas
Preso no QG de Brasília em 09/01/2023. Encontrado morto na casa dos pais em Borrazópolis (PR) em 10/05/2024. Sentia‑se injustiçado pelo tratamento dado aos manifestantes.
6. Jony Figueiredo da Silva
Morreu em 27/09/2024 por parada cardiorrespiratória e edema pulmonar. Usava tornozeleira e comparecia regularmente ao fórum. Foi preso no QG e levado à Papuda.
7. Marco Aurélio
De Cuiabá (MT). Faleceu em abril de 2025, vítima de leucemia. Respondia à Ação Penal 1538 e havia firmado ANPP em agosto de 2024.
8. José Fernando Honorato Azevedo
Policial federal aposentado. Morreu em novembro de 2025 após três anos de deterioração física e financeira: prisão preventiva, cautelares rígidas, bloqueio de bens, internações sucessivas.
9. Cláudio Fernando Gonçalves
Capixaba de Pancas (ES). Morreu em 10/02/2026 após acidente de trabalho que fraturou uma vértebra do pescoço. Ficou 50 dias na UTI. Era réu na AP 2214/DF e havia sido condenado a 13 anos e 6 meses.
10. José Éder Lisboa
Morreu em 28/03/2026 na Argentina, onde vivia exilado desde 2023. Condenado no Brasil, estava em estado gravíssimo. O caso foi relatado pelo Bureaucom, assim como os outros.
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