Ana Maria Cemin – 11/08/2026
O 8 de janeiro de 2023 está longe de terminar. Ele se estende como uma sombra persistente sobre os conservadores brasileiros, transformando-se não apenas em uma data, mas em um mecanismo contínuo de intimidação. Mesmo após três meses da homologação da Lei da Dosimetria, que deveria reduzir as penas dos manifestantes indiciados e condenados por algum tipo de envolvimento nos protestos contra a eleição de Lula, as prisões continuam. E continuam com força.
No dia 5 de agosto, o caminhoneiro Ramiro Alves da Rocha Cruz Júnior foi levado à 3ª Delegacia de Investigações Interestaduais de São Paulo. Ali, diante de uma audiência de custódia, começou a cumprir sua sentença de 14 anos de prisão.
Segundo a sua advogada, Taniele Telles, Ramiro já teria direito ao regime semiaberto, pois cumpriu parte do regime fechado e se enquadra nas previsões da nova lei. Uma lei que, apesar de aprovada, permanece engavetada por decisão do ministro Alexandre de Moraes, enquanto o Congresso observa em silêncio.
Ramiro ficou preso preventivamente até abril de 2025, sendo liberado apenas quando suas diversas comorbidades foram comprovadas. Descendente de portugueses, possui documentação europeia, como passaporte, cartões de cidadania, bilhete de identidade. Todos retidos pelo governo brasileiro.
No dia 2 de julho, outro manifestante foi detido em Franca, SP. Ricardo Cardoso de Abreu, corretor de imóveis, recebeu por videoconferência a notícia de que começaria a cumprir sua pena de 14 anos em regime fechado. O seu defensor registrou os graves problemas de saúde: crises severas de diabetes, dores incapacitantes na coluna.
Em 29 de julho, foi a vez de Regina Teixeira de Carvalho. Durante uma videoconferência na Delegacia da Polícia Federal de Ribeirão Preto, ela recebeu a ordem de início do cumprimento de sua sentença: 13 anos e 8 meses, também em regime fechado.
Esses são apenas alguns nomes, algumas histórias, alguns rostos de um movimento muito maior, silencioso e constante. E o pior: sem o conhecimento da maior parte da população brasileira. Não tomam conhecimento porque a imprensa silenciou. As prisões continuam a ocorrer neste segundo semestre de 2026, e muitas outras podem ter acontecido nas últimas semanas, assim como outras tantas virão.
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