Ana Maria Cemin – 26/06/2026
O Brasil assistiu perplexo aos acontecimentos do dia 8 de janeiro de 2023. Mas por trás das imagens que correram o mundo havia uma engrenagem oculta, silenciosa, estratégica e, sobretudo, conveniente para alguns. No centro dessa engrenagem, injustamente, colocaram o nome de um homem: o Coronel Jorge Eduardo Naime Barreto, condenado e que cumpre pena no 19º Batalhão da Polícia Militar de Brasília. Pena de 16 anos. Execução Penal 189 do STF, derivada da Ação Penal 2417. Em 22 de abril de 2024, entrevistei a esposa de Naime, Mariana, e publiquei no site www.bureaucom.com.br. Lá tem várias matérias sobre ele, mas a primeira tem o título “Quem o Coronel Naime contrariou para estar preso no Papuda.
Fica comigo mais um pouco, leia esse resumo. É importante que você saiba.
A CRISE ANUNCIADA
No dia 7 de janeiro, véspera do caos, ocorreu uma reunião decisiva na Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal. Estavam presentes o delegado federal Andrei Augusto Passos Rodrigues; o delegado Fernando de Sousa Oliveira, então secretário‑executivo da pasta; e a coronel Cíntia Queiroz de Castro, responsável pelas operações integradas das forças de segurança.
O alerta foi direto: havia risco elevado e concreto de invasões violentas aos Três Poderes. O relatório de inteligência previa a chegada de ônibus com manifestantes exaltados, possivelmente armados e organizados — um perfil completamente diferente das manifestações pacíficas anteriores.
Mesmo diante desse cenário alarmante, nenhuma medida efetiva foi tomada. Não se instalou gabinete de crise, não houve reforço de efetivo, não houve revisão do planejamento operacional. Pior: o relatório de inteligência ficou parado na mesa da coronel Cíntia, sem sequer ser aberto, e não foi difundido para as áreas táticas da PMDF, para o setor de planejamento ou para as demais instituições envolvidas.
No dia seguinte, 8 de janeiro, a omissão se transformou em autorização: permitiram que os manifestantes descessem rumo à Praça dos Três Poderes, abandonando o controle que existia no QG. Levaram o conflito para o coração institucional do país — uma decisão inexplicável sob qualquer lógica de gerenciamento de crise.
A pergunta ecoa até hoje: por que a Secretaria de Segurança contrariou seu próprio Plano de Ações Integradas e autorizou que um público inflamado saísse de uma área segura para uma zona de altíssimo risco?
O PAPEL DE NAIME
Naquele momento, o coronel Naime estava de férias, com autorização formal, tratando sequelas físicas após um ano de serviço intenso. Ele não participou de nenhum dos grupos de planejamento e inteligência específicos para as manifestações. Nem do grupo “Difusão”, nem do grupo “Perímetro”. Só soube da gravidade da situação no próprio dia 8, quando foi chamado às pressas para intervir.
Mesmo de férias, mesmo alheio à crise, Naime foi ao combate, ao ser chamado pelo governador do DF. Liderou pessoalmente as tropas, foi ferido por rojões, realizou prisões e restabeleceu a ordem em menos de 40 minutos após sua chegada. Ainda assim, tornou‑se o “boi de piranha”, o nome usado para encobrir o fracasso das autoridades que realmente tinham responsabilidade pelo planejamento e prevenção da crise.
Sua atuação evitou o derramamento de sangue naquele dia. Ele agiu com técnica, legalidade e experiência, e Mariana conta que ele não cumpriu ordens ilegais do interventor, mas protegeu vidas, patrimônio e a ordem pública. Agiu com técnica e conhecimento. Nenhuma vida foi perdida.
E há um fato incontornável: Naime é o único policial militar entre os réus do 8 de janeiro que estava de férias e sem qualquer vínculo com o planejamento prévio. Todos os demais sabiam, participaram ou tinham responsabilidade direta. Naime, não. E, mesmo assim, foi condenado.
NULIDADES E PERSEGUIÇÃO JURÍDICA
Conforme apontado por sua equipe jurídica, os pontos mais graves do processo estão:
- A violação da cadeia de custódia do celular apreendido, gerando provas contaminadas;
- A exclusão de provas favoráveis e negativa de diligências essenciais;
- A interpretações subjetivas e politizadas de ações técnicas da PMDF;
- E, sobretudo, a ausência de qualquer indício de conduta dolosa, já que Naime não participou do planejamento dos atos.
Segundo a defesa, não há prova alguma contra Naime nos autos. Ao contrário, há inúmeras evidências que apontam para sua completa inocência.
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