Ana Maria Cemin – 02/05/2026
No feriado dedicado aos trabalhadores, uma servidora pública estadual de São Paulo, que dedicou mais de quatro décadas ao serviço, perdeu a sua liberdade ao ser levada ao cárcere. Eliana Lázaro, 61 anos, oficial administrativa prestes a se aposentar, foi presa ontem, 1º de maio, após ser localizada pelo sistema de monitoramento “Muralha Virtual”, em Botucatu, SP. A ordem partiu do Supremo Tribunal Federal, após o trânsito em julgado da sentença que a condenou a 14 anos de prisão por participação nos atos de 8 de janeiro, em Brasília.
A prisão ocorreu logo após seu carro ser localizado pelo sistema de monitoramento municipal, devido à ordem de prisão em aberto. Até ser presa, Eliana cuidava da mãe, Diva Lázaro, uma idosa de mais de 80 anos, totalmente dependente dela.
Amigos informaram sobre a prisão que foi marcada por silêncio e perplexidade, pois se trata da punição de uma mulher honrada e, além disso, o recolhimento de Eliana representa a ruptura abrupta na rotina de uma família.

As investigações envolvendo moradores de Botucatu foram conduzidas no âmbito da PET 13117, que envolvem também Carlos Alberto D’Angio, Elisete Pinheiro da Silva, Fernanda Mendes Simon, Maria Eunice de Oliveira Mendes, José Luiz Vieira Filho, Luiz Carlos Gasparini Alves da Costa, Mônica Balesteros da Silva e Ricardo Pires Pereira.
Todos foram denunciados pela Procuradoria-Geral da República sob a acusação de terem viajado à capital federal para participar das manifestações que, segundo a denúncia, buscavam um Golpe de Estado.
A denúncia foi apresentada ainda em janeiro do ano passado. Desde então, os investigados tiveram bens e valores bloqueados. No caso de Eliana, que sustentava a casa exclusivamente com o próprio salário, a defesa pediu o desbloqueio para garantir a sobrevivência da família. O ministro Alexandre de Moraes autorizou a liberação de apenas um salário-mínimo.

A prisão no Dia do Trabalhador — data que simboliza direitos, dignidade e reconhecimento — adicionou um elemento de ironia amarga ao caso. Para uma mulher que passou a vida dentro das estruturas do trabalho e da correção, o desfecho ganhou contornos de tragédia pessoal e familiar. Arrisco dizer que a tragédia é social, pois os parâmetros de justiça estão obsuros em no Brasil atual.
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