Ana Maria Cemin – 01/05/2026
Há poucos meses publicamos a situação de saúde de Juvenal Albuquerque, preso político condenado a 16 anos e meio. Agora, relatamos a condição crítica de seu pai, que agoniza após adoecer severamente desde a prisão do filho no 8 de janeiro.
Ao final desta matéria, indico o link para o texto sobre a saúde de Juvenal, no qual registramos diversas determinações judiciais relacionadas ao acompanhamento médico do sentenciado. Ele necessita com urgência de uma cirurgia de amigdalectomia. A defesa, representada pelo Instituto Gritos de Liberdade, diante da demora do SUS e da fragilidade clínica, requereu prisão domiciliar humanitária — pedido que foi indeferido.
Mas, paralelamente à situação de saúde do apenado, um drama ainda mais profundo se desenrola fora dos muros da penitenciária.
O pai de Juvenal, Antônio Carlos Correa de Albuquerque, de 76 anos, encontra-se em estado crítico. Segundo relato da mãe do sentenciado, Alexandra Perdiza, Antônio está internado há mais de 90 dias, já passou diversas vezes pela UTI, está extremamente debilitado, diabético e com indicação de amputação do pé — procedimento inviável devido ao coração enfraquecido. Ela descreve que ele “está entre a vida e a morte”, muito magro, fraco e com pressão instável.

A mãe afirma que o pai adoeceu profundamente após a prisão do filho e que seu maior temor é que ele não consiga se despedir. Segundo ela, Antônio expressa repetidamente o desejo de ver Juvenal “pela última vez”, de dar-lhe um último abraço antes que sua condição se agrave de forma irreversível. Ele chegou a gravar um vídeo pedindo para reencontrar o filho.
Alexandra, que viajou de Cuiabá a Brasília para acompanhar a votação da lei que reduz penas dos condenados do 8 de janeiro, recebeu a notícia da piora súbita do ex-marido ao retornar. Em desespero, ela relata:
“O pai do meu filho está entre a vida e a morte. Ele quer dar o último abraço ao filho. Eu suplico por esse último abraço.”
Enquanto isso, no processo, a defesa segue pedindo providências urgentes para a cirurgia de Juvenal, incluindo agendamento prioritário pelo SUS, autorização de saída sob escolta e permanência hospitalar pelo tempo necessário.

Em 9 de abril de 2026, o Juízo determinou que a Vara de Execuções Penais de Campo Grande oficie a Unidade Prisional para informar, em cinco dias, se foram adotadas as providências necessárias para o acompanhamento médico e o agendamento da cirurgia.
Mas, fora dos autos, permanece a urgência humana: um pai moribundo que deseja abraçar o filho antes de morrer, e um filho preso que pode não ter tempo de se despedir.
A Execução Penal de Juvenal Alves Correa de Albuquerque, de 33 anos, decorre da Ação Penal 1.417/DF, na qual ele foi condenado a 16 anos e 6 meses em regime fechado. Preso desde 8 de janeiro de 2023, ele já cumpriu mais de três anos, com 66 dias remidos por trabalho.
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