Ana Maria Cemin – 17/04/2026
A tarde desta sexta-feira marcou mais um episódio dramático na trajetória de Marco Alexandre Machado de Araújo, 56 anos. A Polícia Federal o prendeu novamente em sua residência, em Uberlândia (MG), para início do cumprimento da pena de 14 anos, após o trânsito em julgado da sentença em 27 de março de 2026. Desde abril de 2025, ele estava em prisão domiciliar, monitorado por tornozeleira eletrônica. A defesa protocolou hoje um pedido para que a execução da pena ocorra em regime domiciliar, alegando os graves problemas de saúde que o apenado do 8 de janeiro apresenta.
A história de Marco Alexandre no contexto do 8 de janeiro é marcada por sofrimento. Ele foi preso na 10ª fase da Operação Lesa Pátria, em abril de 2023, e permaneceu quase dois anos no Complexo Penitenciário da Papuda sem que o Ministério Público apresentasse denúncia. Nesse período, foi praticamente esquecido dentro da penitenciária, muito doente, sem acusação formal, julgamento ou condenação.
Durante os dois anos em que permaneceu encarcerado, entre abril de 2023 e abril de 2025, desenvolveu fortes confusões mentais e chegou a ser encaminhado para a Ala Psiquiátrica da Colmeia, onde ficou meses. Quase chegou à loucura, tratado como se fosse louco e submetido a fortes dosagens de medicamentos.
Por causa desse quadro clínico, e com base em laudos periciais, o réu passou os últimos 12 meses em casa, em prisão domiciliar, tratando um Transtorno Esquizofrênico com acompanhamento profissional autorizado previamente pelo ministro Alexandre de Moraes. É indiscutível que se trata de um homem que precisa de cuidados.
Pai de três filhos adultos, Marco Alexandre também tem uma filha de menos de três anos, com quem só pôde conviver após deixar a prisão. Sua esposa, Juliane Mayumi Onaya, 42 anos, descreve quem ele é:
“O meu marido sempre foi da política, mas nunca teve um posicionamento radical. Durante as eleições passadas, ele fez campanha no ‘Point Bolsonaro’, aqui em Uberlândia. Com o fim das eleições, foi criado o acampamento em frente ao Exército e nós íamos juntos participar das atividades do movimento popular. Eu fui com ele duas vezes ao QG de Brasília, assim como a mãe dele também foi. O ambiente era bom, com estrutura de alimentação e local de oração. Muito organizado.”
Segundo Juliane, no início de 2023 o marido foi sozinho a Brasília e contou que entrou em um dos prédios da República apenas para chamar duas amigas que haviam entrado no local. “Dois policiais disseram a ele que podiam ficar ali, que era seguro e que nada aconteceria com elas, e que o policiamento estava ali justamente para garantir a segurança dos manifestantes. Mesmo assim, Marco Alexandre decidiu ajudar as pessoas do lado de fora, encaminhando-as ao QG. Disse que ajudou muita gente de Uberlândia que estava naquele fogo cruzado de bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e balas de borracha.”
De volta a Uberlândia, ele continuou atuando politicamente e incentivou a criação da CPMI do 8 de janeiro. Sua liberdade terminou quando a polícia chegou à sua casa em abril de 2023, inclusive com ameaças à esposa. “Os policiais pediram por ele e eu disse que estava no trabalho, porque ele fazia serviço de segurança. Me ameaçaram prender se descobrissem que eu estava mentindo, mas eu não tinha motivo para isso”, relata Juliane.
EX-POLICIAL LEVADO À PAPUDA
Antes da prisão, Marco Alexandre trabalhava como segurança e também fazia Uber. Por ser ex-policial, considerou-se arriscado mantê-lo no presídio local, e ele foi levado para a Papuda, em Brasília.
Durante o longo período de encarceramento, Juliane viajava a cada 15 dias para levar o Cobal — itens de higiene, bolachas, castanhas e outros produtos permitidos. Após o nascimento da filha, no fim de 2023, ficou alguns meses sem visitá-lo. Quando voltou, em março de 2024, para apresentar a pequena Lyz, ficou apavorada com o estado do marido:
“Ele parecia outra pessoa, totalmente transformado. Falava de forma incompreensível e estava muito magro. Não tinha forças para segurar a filha no colo. Durante a conversa, disse que estava com dor de barriga e precisava ir ao banheiro, mas não tinha capacidade de chamar o guarda para pedir licença, de tão deplorável que estava. Hoje ele segue tendo crises de pânico seguidamente lá dentro.”
Nos últimos 12 meses de prisão domiciliar, Marco Alexandre recebeu atendimento adequado pela rede de saúde e se mantinha estável. Com a nova prisão, volta a soar o alerta sobre o possível agravamento de sua saúde.
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