Ana Maria Cemin – 13/07/2026
Oito brasileiros que estiveram nas manifestações de 8 de janeiro, um episódio que ainda reverbera como ferida aberta na memória nacional, voltam a enfrentar o Supremo Tribunal Federal. São novamente julgados, novamente sentenciados, como se o tempo tivesse parado e o país estivesse condenado a repetir seus próprios atos.
A ironia amarga não passa despercebida: o julgamento ocorre sob a sombra da posse de Lula, cuja trajetória judicial, marcada por condenações em três instâncias e posterior anulação por questões processuais, permanece como um divisor de opiniões no país. Esse contraste, tão conhecido por toda a Nação, paira como pano de fundo para o destino dos réus.
Em março, publiquei no site www.bureaucom.com.br o voto do ministro relator, que costuma definir o futuro de todos presos políticos da Era PT. Agora, porém, surge a pergunta que ecoa com força: por que essas pessoas estão sendo julgadas novamente?
O ministro Luiz Fux, por longo período alinhado aos votos do ministro Alexandre de Moraes, fez uma guinada brusca, um verdadeiro cavalinho de pau jurídico, ao passar a pedir vista nos processos. A mudança não altera o resultado final, mas expõe uma fissura dentro do próprio Supremo.
Do ponto de vista político e jurídico, o gesto de Fux reforça a ala que enxerga inconstitucionalidade nas condenações. Ainda assim, o placar permanece imutável: 7 votos contra 3.
E, com isso, nada muda.
As sentenças seguem firmes desde setembro de 2023, quando os três primeiros réus foram condenados. E seguem sem previsão de término.
Uma dessas pessoas que passam por esse drama que dura mais de três anos e meio é Elynne. A história de vida dessa inocente você pode conhecer em dois artigos que estão no site com os títulos: ANPP representa uma nova chance, publicada em 28/04/2024, e Moraes rompe o ANPP e Elynne será julgada, 06/09/2024.
QUEM ESTÁ SENDO JULGADO NESTE MOMENTO
Período do julgamento: 26 de junho a 4 de agosto
14 ANOS DE PRISÃO
Ellyne Gomes dos Santos Lima — Vicente Pires, DF
Júlio Cezar Batista Mendes — Goiânia, GO
Letícia Santos Lima — Taubaté, SP
Ricardo Duarte de Oliveira — Imbituba, SC
RESTRIÇÃO DE DIREITOS (PENA MAIS LEVE)
Abdias Joaquim dos Reis — Poços de Caldas, MG
Jesiel Rodrigo dos Santos — Rondonópolis, MT
Renan Ferreira Silva — Feira de Santana, BA
Vanderson Alves Nunes — Nortelândia, MT
Publicar comentário