Ana Maria Cemin – 26/01/2026
Após três anos de espera, a família de Charles Rodrigues dos Santos comemora a decisão do Supremo Tribunal Federal que transfere Charles para a Penitenciária Semiaberta de Vila Velha, no Espírito Santo. A vitória também marca a persistência da advogada Ana Sibut.
A segunda-feira, 26 de janeiro, começou com uma notícia que Seu Raimundo, pedreiro de 65 anos, esperava havia mais de três anos. Com muita alegria, me comunicou que a advogada Ana Sibut informou que seu filho, longe de casa e preso desde os eventos de 8 de janeiro de 2023, será finalmente recambiado.

A decisão representa um alívio profundo para a família, que desde 2023 enfrenta uma rotina exaustiva: a cada 15 dias, Seu Raimundo embarcava em longas viagens de ônibus de Serra, ES, até Brasília para visitar o filho no Complexo Penitenciário da Papuda. Uma verdadeira via sacra que consumia tempo, dinheiro e saúde — e que agora termina.
Charles foi o primeiro preso político do 8 de janeiro a progredir ao semiaberto, porém depois de meses ainda permanece em Brasília, longe da família, apesar de ter direito ao regime harmonizado. Com a decisão, isso muda.
Uma conquista que muda a vida da família
Com a transferência, Charles ficará mais próximo de casa e poderá receber visitas de outros familiares, como a de sua mãe, algo que era inviável devido à distância e aos custos. Para uma família humilde, essa mudança representa mais do que comodidade: significa dignidade, presença e apoio emocional — elementos essenciais no processo de ressocialização.
A luta incansável de Ana Sibut: “Eu não vou baixar a cabeça”
A transferência de Charles não aconteceu por acaso. Ela é resultado direto da atuação firme e persistente da advogada Ana Sibut, que assumiu o caso em 2025 e desde então tem denunciado irregularidades na execução penal do apenado.
Em 9 de novembro de 2025, em entrevista exclusiva, Ana foi enfática ao afirmar que não aceitaria passivamente o que considerava uma violação clara da Lei de Execução Penal (LEP):
“Está tudo errado desde o início da execução da pena dele.”
Para ela, manter Charles em Brasília, longe da família e sem acesso ao regime semiaberto harmonizado, era uma afronta aos princípios básicos da LEP, que determina que o cumprimento da pena deve ocorrer próximo ao núcleo familiar.
Principais críticas da advogada à execução penal do caso:
– Ilegalidade da permanência em Brasília: “A ausência de vagas no Espírito Santo não justifica essa violação”, afirmou na época.
– Direito ao semiaberto harmonizado: Dra. Ana defendia o uso de tornozeleira eletrônica e recolhimento domiciliar noturno como alternativa legal diante da alegada falta de vagas.
– Atuação proativa: Ela elaborou petições, pediu reconsiderações e se preparou para agravar decisões sempre que necessário.
O drama familiar como prova da urgência
A advogada também sempre destacou o impacto humano do caso. Raimundo, já idoso, fazia esforços quase sobre-humanos para visitar o filho. Muitas vezes, chegava a Brasília exausto, carregando alimentos preparados em casa para garantir que Charles tivesse algo melhor para comer.
Ao assumir o caso, Ana reuniu certidões, comprovantes de endereço e documentos familiares para reforçar o pedido de transferência, um trabalho minucioso que agora mostra seus frutos.
“A insistência é o caminho”: a filosofia que guiou a defesa
Em 2025, Ana Sibut deixou claro que não aceitaria a situação imposta: “Não temos que nos adequar à decisão do Moraes. Eu não vou seguir essa linha. O Estado tem que prover a vaga adequada.” E completou: “Não é sobre encontrar um meio de ele trabalhar. É o Estado que tem que garantir a vaga. A insistência é o caminho.” Hoje, a confirmação do recambiamento de Charles para o Espírito Santo mostra que a insistência, de fato, foi determinante.
Um novo capítulo para Charles e sua família
A transferência para a PSVV abre uma nova etapa na vida de Charles, que poderá cumprir o regime semiaberto mais próximo de quem o ama. Para Raimundo, é o fim de uma maratona dolorosa. Para Ana Sibut, é a prova de que a defesa técnica, quando exercida com coragem e persistência, pode corrigir injustiças e restabelecer direitos.
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