
Por Ana Maria Cemin – Jornalista
A história do casal Alessandra e Joelton Gusmão de Oliveira é uma das mais representativas do momento histórico em que vivemos, e comprova que estamos a um passo da ditadura declarada. Por enquanto, estamos vivendo uma narrativa construída para nos fazer crer que somos livres, utilizando um discurso de que todos aqueles que vestem verde e amarelo, carregam uma bandeira do Brasil e levam a palavra de Deus como caminho são “terroristas”. É uma desculpa para nos fazer “engolir” um projeto iniciado há décadas na América Latina, a implantação do comunismo, tendo como seu principal protagonista Lula da Silva aqui no Brasil. Castigar a população simples é a forma de silenciar a todos.

Hoje, dia 28 de novembro, saiu o alvará de soltura de Joelton que é casado com Alessandra, com quem tem três filhos: Agnes de 20 anos, João Guido de 9 anos e Ian de 4 anos. Alessandra ficou presa por 6 meses no Presídio Colmeia, pois ambos foram para a manifestação pacífica e ordeira de 8 de janeiro em Brasília e foram recolhidos pela Polícia Federal como “terroristas”, como a imprensa reverberou e que agora chama de “golpistas”.

A família tem casa e pizzaria (hoje arrendada) em Cuiabá, MT, porém vivia em Vitória da Conquista, BA, desde julho de 2022 quando o pai de Joelton, aos 78 anos, passou por uma importante cirurgia do coração. Como o idoso precisava de atenção no pós-cirúrgico a saída foi passar uma temporada na Bahia e começar um novo negócio, uma hamburgueria, e alugar uma casa até o doente se recuperar. A filha mais velha do casal, a Agnes, já fazia faculdade de Odontologia e cursava o 5º semestre na Faculdade Independente do Nordeste.

PRISÕES E SITUAÇÃO LIMITE
O casal foi preso em Brasília no dia 8 de janeiro dentro de um dos prédios da República e responde por cinco crimes pelo Inquérito 4922, dentre eles golpe de estado e formação de quadrilha. Nessa situação estão cerca de 270 cidadãos brasileiros e, mesmo que os advogados tentem provar que nada fizeram, que não há provas de que depredaram ou fizeram outra coisa além de se manifestar, todos que foram julgados pelo Supremo Tribunal Federal por este inquérito foram condenados. A maioria a 12, 14, 16 e 17 anos de cárcere nos presídios brasileiros.

DE TORNOZELEIRA ATÉ O JULGAMENTO
Tanto Alessandra quanto Joelton (com a saída do presídio anunciada no dia de hoje) ficarão em casa aguardando a decisão dos 11 ministros do STF para dar rumo em suas vidas e na dos seus três filhos. Porém, isso não significa que Alessandra deixou de sonhar. Os planos dela são de receber o marido em casa, esperar ele se readaptar a nova vida com tornozeleira, curar as feridas emocionais da prisão injusta, para depois falar sobre os próximos passos.
“Nós falávamos de mudar para outro ramo de trabalho. Nós trabalhamos 10 anos com pizzaria e hamburgueria e esse tipo de trabalho é de segunda a segunda. Além disso, nós cansamos de dormir às 3 horas da madrugada e pensávamos em empreender em outra área”, me conta. Inclusive, me diz, antes de serem presos em 8 de janeiro tinham uma proposta de representação comercial que podem voltar a avaliar.

A VIDA HOJE
Com o arrendamento da pizzaria que o casal tem em Cuiabá, Alessandra paga o aluguel da casa em Vitória da Conquista, mantém o carro e paga contas como água, luz, internet, telefone, além de comprar comida para o dia a dia. Todo o resto, como cartão de crédito, empréstimo em banco e parcelas de pagamento de um terreno que tinham adquirido ficaram para trás, um problema financeiro semelhante a de quase todos os demais presos políticos. A hamburgueria nunca mais foi aberta depois que os dois foram presos.
“Como tenho habilidades com tricô, faço algumas peças decorativas e rifamos pela internet para conseguir recursos para a minha filha visitar o pai em Brasília. O valor da passagem está muito caro, mas não deixamos de fazer as visitas ao Joelton”, relata.
FILHA DEDICA VIDA À FAMÍLIA
A estudante de Odontologia Agnes, com apenas 20 anos, teve que assumir a casa e o cuidado com os irmãos sozinha durante seis meses, enquanto Alessandra estava no presídio em Brasília. Largou a faculdade na metade do curso, o emprego e dedicou-se a cuidar dos irmãos pequenos, além de buscar apoio para resolver o problema de prisão dos pais. O sonho dela é voltar a estudar, porém conseguiu apenas 70% da bolsa para retornar a Odontologia e não tem o restante de R$ 1,1 mil por mês.
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