Ana Maria Cemin – 24/01/2025
Maria Irani Teixeira Bomfim, 56 anos, condenada a 14 anos de prisão por estar na Praça dos Três Poderes no dia 8 de janeiro de 2023, sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) e está internada no Hospital MedSênior, em Brasília. A decisão de internação foi comunicada pela defesa à Suprema Corte, que autorizou visitas de familiares durante o período de tratamento.
Maria Irani foi considerada culpada em diversos crimes, incluindo abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, deterioração de patrimônio tombado e associação criminosa armada. A pena total soma 12 anos e 6 meses de reclusão, 1 ano e 6 meses de detenção e 100 dias-multa, além de uma indenização coletiva de R$ 30 milhões solidária com outros condenados.
Inicialmente presa em flagrante em janeiro de 2023 por se abrigar num prédio da República em função dos tiros e bombas dos policiais, Maria Irani passou pelo presídio feminino Colmeia, que integra o complexo penitenciário da Papuda, em Brasília. Saiu e ficou um tempo com tornozeleira e, depois do trânsito em julgado da sentença, voltou ao presídio. Em novembro de 2025, foi para a prisão domiciliar humanitária para realizar uma cirurgia pelo plano de saúde particular. Após retornar ao Colmeia, apresentou infecções pós-cirúrgicas, e o médico responsável solicitou nova permanência em casa para recuperação.
Novo episódio de saúde
Nesse mês de janeiro, a situação de saúde dela se agravou: sofreu um AVC não especificado como hemorrágico ou isquêmico (CID 10:I64). A petição da defesa no dia 21 de janeiro solicitou a remoção temporária da tornozeleira para fazer exame de ressonância magnética de encéfalo em caráter de urgência.
Internada na Unidade 03-A do Hospital MedSênior, localizado no Centro Empresarial Capital Financial Center, Maria Irani recebeu autorização do ministro Alexandre de Moraes para ser acompanhada pela sobrinha Patrícia Soares Oliveira e pela sobrinha-neta Mariana Oliveira da Graça durante o tratamento.
CASAL CONDENADO POR SE ABRIGAR EM PRÉDIO NO 8.01
Em 26 de novembro de 2025, depois de 18 meses separados, o casal Jamildo Bomfim de Jesus, 63 anos, e Maria Irani Teixeira Bomfim, 56 anos, voltou a se encontrar. Naquela ocasião, puderam se abraçar novamente, por estarem em prisão domiciliar humanitária.
Ambos foram condenados a 14 anos de prisão pelos eventos de 8 de janeiro de 2023, mas a saúde debilitada abriu uma brecha para que pudessem cumprir parte da pena em casa.
Jamildo havia sido preso logo após os ataques, em janeiro de 2023, e permaneceu no Centro de Tratamento e Ressocialização (CTR) da Papuda até 14 de outubro de 2025, quando o Supremo Tribunal Federal autorizou sua prisão domiciliar por causa de doenças graves, incluindo hipertensão, arritmia e suspeita de artrite reumatoide. O idoso cumpriu 2 anos e 3 meses no presídio, mas a sua saúde degenerou terrivelmente.
Maria Irani, por sua vez, foi detida em diferentes momentos: inicialmente em 2023, depois reconduzida em 19 de junho de 2025 novamente ao Presídio Colmeia, e somente agora, em 19 de novembro de 2025, recebeu autorização do ministro Alexandre de Moraes para cumprir dois meses em casa, após cirurgia realizada no Hospital Medsenior de Taguatinga, DF, com recomendação médica clara de recuperar-se em ambiente limpo.
8 DE JANEIRO DE 2023
A história do casal começou a se transformar naquela tarde fatídica quando voltava de uma viagem à roça em Formosa, GO. Maria Irani viu vídeos no celular com as movimentações na Praça dos Três Poderes e, movida pela curiosidade, insistiu para que o marido fosse até a Esplanada com ela. Jamildo, cansado da estrada, relutou, mas acabou cedendo.
Chegaram às 16h32. Pouco depois, às 16h45, já estavam algemados. O GPS do celular de Jamildo registrou cada passo, provando que eles haviam acabado de chegar e não tiveram tempo sequer de entender o que acontecia. No meio da confusão, com helicópteros lançando bombas de gás e pessoas correndo, buscaram abrigo em prédios oficiais. Esse gesto, interpretado como participação nos atos, foi suficiente para que fossem incluídos no Inquérito 4922 do STF e condenados a 14 anos de prisão.
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