Ana Maria Cemin – 05/02/2026
O paranaense João Paulo Silva Matos, 36 anos, foi preso no Paraguai após entrar irregularmente no país e entregue à Polícia Federal na Ponte Internacional da Amizade. Condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 14 anos de prisão (ação penal 2.605), ele passou por audiência de custódia na tarde de terça-feira, 4 de fevereiro, na Delegacia Federal de Foz do Iguaçu.
A detenção ocorreu na tarde de segunda-feira, quando agentes da Direção-Geral de Investigação Criminal do Paraguai localizaram Matos em Salto del Guairá, cidade que faz fronteira com Mundo Novo, MS. As autoridades constataram que ele estava em situação migratória irregular e procederam à detenção, seguida da entrega formal às forças brasileiras.
Natural de Londrina, PR, João Paulo viajou a Brasília em 8 de janeiro de 2023 para participar de uma manifestação que tinha caráter pacífico. Surpreendido pela escalada de violência na Praça dos Três Poderes contra os manifestantes, buscou abrigo dentro de um prédio público, como fizeram centenas de pessoas naquele dia, em uma tentativa de preservar a própria integridade física.

A identificação de Matos ocorreu por meio de vídeos gravados dentro do Palácio do Planalto, usados pelo STF como base para a condenação. Segundo o Campo Grande News, o mandado de prisão foi expedido em janeiro deste ano, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, na data que marcou três anos dos acontecimentos.
Antes de fugir, Matos cumpria medidas cautelares que incluíam a permanência obrigatória na sua cidade no estado do Paraná, uso de tornozeleira eletrônica e comparecimento semanal à Justiça em Londrina. O monitoramento registrou o rompimento da tornozeleira em 9 de janeiro, no período da tarde. Após o episódio, ele deixou de cumprir as apresentações obrigatórias e passou a ser considerado foragido.
Entre as injustiças sofridas por João Paulo, a defesa aponta que ele permaneceu mais de 200 dias sem denúncia formal após sua primeira prisão em 2023, argumento utilizado para questionar a condução processual. O STF afirma que os casos relacionados ao 8 de janeiro envolvem crimes contra o Estado democrático e seguem rito excepcional.
Na tarde de 4 de fevereiro, Matos passou por audiência de custódia na Delegacia Federal de Foz do Iguaçu. O procedimento avaliou a legalidade da prisão, sua integridade física e as condições de entrega pelas autoridades paraguaias. A definição sobre o local de cumprimento da pena de 14 anos será tomada pelo Supremo Tribunal Federal.
A prisão de Matos reforça o cenário de cooperação ativa entre Brasil e países vizinhos na localização de investigados e condenados pelos eventos de 8 de janeiro. Com exceção da Argentina, que tem adotado postura distinta em pedidos de refúgio, os demais países da região têm representado risco para manifestantes que romperam a tornozeleira e tentaram se estabelecer no exterior, resultando em detenções rápidas e devolução às autoridades brasileiras.
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