Jovem narra experiências de prisão em Brasília

Edição de Ana Maria Cemin – Jornalista

23/11/2023 – (54) 99133 7567

Após a audiência de custódia, meu advogado inicial desapareceu. Fiquei 15 dias sem advogado. Então, surgiu um advogado enviado por minha mãe. Ele me disse que me tiraria da cadeia no mesmo dia, mas era apenas conversa fiada para me enganar e me fazer assinar o contrato. Ele também disse que a Polícia Federal iria revistar minha casa e tomar todo o meu dinheiro. Eu perguntei quanto ele cobrou de minha mãe e ele respondeu: “R$ 40 mil reais”.
Perguntei se ele era patriota e ele respondeu que sim, que já tinha servido o exército. Eu respondi que isso não significava nada e que, se ele fosse patriota de verdade, não cobraria aquele valor, ainda mais porque eu não era rico. Disse também que não conseguiria pagar aquela quantia, que teria que dar meu ** para pagar ele. Meu pai dizia: “Não deva a vida para um advogado, é bucha!”. Depois disso, falei para ele ir embora.

Após uma ou duas semanas, minha “anja” apareceu, ela era advogada do colega de cela, que descobrir ser da cidade vizinha a minha, que havia acabado de sair na primeira remessa e foi indicada por um amigo que mora na mesma cidade dela e ficou sabendo.
Ela me ajudou muito, não sei nem como agradecer e não há dinheiro que pague o que ela fez por mim e dezenas de outros patriotas. Uma heroína, que vinha tanto para dar uma palavra amiga, trazia notícias e cartinhas de nossas famílias e nos tirou daquele pesadelo.

Os agentes prisionais tinham a exigência de nos tratar como bandidos, sem distinção. Nos primeiros dias, surgiu um agente que apelidamos de “Mochilinha”. Ele chegava gritando e batendo nas portas, que eram muito grossas e pesadas, fazendo um barulho ensurdecedor. Esse barulho era usado como método de tortura psicológica. O agente fazia tudo isso com a gente, mas escondia o rosto para não ser reconhecido. Reconhecíamo-lo pela voz e pelos gritos. Também quando tínhamos visitas dos advogados, nos levavam para um corró, onde ficávamos até duas horas esperando para voltar para nossas celas.
Todos os dias, durante o intervalo, tínhamos que sair apenas de cueca. Às vezes, nos deixavam levar a Bíblia para o banho de sol. Eles diziam que era necessário para impedir que escondêssemos objetos cortantes no pátio.
No último dia que passei lá, o Mochilinha pediu desculpas a todos depois de levar uma bronca do diretor da prisão. Ele orou na frente de todos nós. Deus deve ter tocado ele.
Haviam caras bons lá, que nos trataram melhor, mas eles se mascaram por trabalhar com pessoas distantes de Deus. Graças a Deus, não são todos maus nesse ambiente!

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