Ana Maria Cemin – 20/01/2026
Edemilson da Cruz, 45 anos, morador de Balneário Piçarras, SC, foi absolvido dos crimes graves que poderiam levá-lo a uma condenação de 14 a 17 anos em regime fechado. Ele foi julgado no Plenário do STF, em sessão virtual realizada entre 21 de novembro e 1º de dezembro do ano passado. A sentença final determinou 225 horas de prestação de serviços comunitários, participação em curso sobre democracia, proibição de ausentar-se da comarca até a extinção da pena e restrição ao uso de redes sociais.
A defesa de Edemilson está sendo conduzida pelo Instituto Gritos de Liberdade, sob liderança da Dra. Ana Sibut. Cruz foi preso no acampamento em frente ao Quartel de Brasília em 9 de janeiro de 2023 e, pela regra, deveria responder por dois crimes que não resultariam em prisão. Porém, em 11 de setembro de 2023, a Procuradoria-Geral da República pediu o aditamento da denúncia, acrescentando outros três crimes considerados graves, que poderiam resultar em pena de 14 a 17 anos.
A Corte aceitou o pedido da PGR, e ele passou a ser julgado por cinco crimes. Toda essa reviravolta teve origem em uma amostra de DNA coletada dentro do Senado após os atos de 8 de janeiro. O material foi comparado com os perfis genéticos de todos os manifestantes presos nos dias 8 e 9 de janeiro daquele ano, encaminhados aos presídios Colmeia e Papuda. O cruzamento indicou que o material genético encontrado no Senado pertenceria a Cruz.
Durante o julgamento, porém, o próprio ministro relator, Alexandre de Moraes, considerou a prova insuficiente para condená-lo pelos cinco crimes, reduzindo a pena para uma medida restritiva de direitos.
A presidente do Instituto Gritos de Liberdade, Dra. Taniéli Telles, declarou:
“O Instituto assumiu o caso dele; eu e a Dra. Ana Sibut atuamos na defesa. O caso foi aditado, porém ele é analfabeto, ajudante de pedreiro, e nossa comunicação era muito difícil, sempre por áudio. Sofri muito com esse caso. Mesmo sem saber ler, ele assinou a nota de culpa sem saber o que estava assinando. É uma pessoa muito humilde. Vê-lo absolvido dos crimes mais gravosos, que poderiam levá-lo a uma condenação de 14 a 17 anos, traz um alívio imensurável. O ideal seria a absolvição de todos os crimes, mas só de saber que ele jamais voltará para a prisão, fico eternamente grata a Deus.”
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