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Brasileira detida na Argentina enfrenta isolamento

A transferência, segundo pessoas próximas, aumentou o isolamento e a dificuldade de visitas. Antes, Sirlene estava detida em Posadas, na província de Misiones, próxima à fronteira brasileira, onde recebia apoio frequente de conhecidos e voluntários.

Entre eles está Gabriel Corgosinho Nogueira, brasileiro que vive na Argentina desde 2024 e enfrenta perseguições por ter ido a Brasília em janeiro de 2023. Ele relata que acompanhava Sirlene semanalmente, junto com outras pessoas, e que a mudança para Buenos Aires tornou o contato quase impossível.

“Aqui em Posadas eu, “Cida” e “Lau” estávamos visitando-a semanalmente e outros brasileiros também conseguiam vê-la, mas agora ela está bem mais isolada. Inclusive era muito mais fácil para os advogados dela visitarem na prisão”, escreveu Gabriel em um apelo enviado à reportagem.

Segundo ele, a brasileira enfrenta barreiras linguísticas, culturais e emocionais dentro da unidade prisional.

“Ela passou Natal, Ano Novo e todo esse tempo dentro de uma cela com pessoas de outra cultura e idioma. Só pela graça de Deus conseguimos suportar o peso do tempo prolongado”, afirma.

Processo de extradição e expectativa por audiência

De acordo com Gabriel, o advogado argentino que representa Sirlene deve protocolar nesta semana um pedido de audiência para revisar sua situação. Ele afirma que a transferência para Buenos Aires dificultou o apoio humanitário. “Ficou mais desumano, por dificultar acesso da família e dos amigos que levavam ajuda”.

A extradição de brasileiros que solicitaram refúgio na Argentina tem sido tema de debates entre autoridades dos dois países. O governo brasileiro formalizou pedidos de extradição, enquanto advogados e organizações civis defendem que cada caso seja analisado individualmente, conforme prevê a legislação internacional de refúgio.

Apelos por apoio institucional

No texto enviado à reportagem, Gabriel questiona se organismos internacionais, como o ACNUR, ou entidades de direitos humanos na Argentina poderiam auxiliar na aceleração da audiência ou na garantia de condições adequadas de detenção.

Ele também sugere que parlamentares brasileiros e argentinos estabeleçam diálogo para acompanhar o caso.

“Será que deputados ou senadores do Brasil não poderiam fazer mais contatos com outros deputados aqui?”, escreveu.

Solidariedade e tentativas de manter contato

Gabriel afirma temer que Sirlene se sinta abandonada após a transferência. Ele compartilhou números de telefone do presídio, incentivando que pessoas liguem para enviar apoio emocional — prática comum entre grupos de solidariedade a detentos.

Colônia Penal de Ezeiza — Pavilhão 5 UR2

Telefones informados por Gabriel, que dão acesso direto para qualquer pessoa conversar com Sirlene: 011 6240 8545, 011 6070 2100 e 011 6070 4445.

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