Ana Maria Cemin – 25/02/2026
A psicóloga brasileira Sirlene de Souza Zanotti, 54 anos, detida na Argentina desde dezembro do ano passado, mesmo tendo documentos de refúgio no país, vive um dos momentos mais difíceis desde que deixou o Brasil. No dia 11 de fevereiro, ela foi transferida para a Colônia Penal de Ezeiza, na região metropolitana de Buenos Aires, onde permanece sob custódia enquanto aguarda a análise de seu processo de extradição.
A transferência, segundo pessoas próximas, aumentou o isolamento e a dificuldade de visitas. Antes, Sirlene estava detida em Posadas, na província de Misiones, próxima à fronteira brasileira, onde recebia apoio frequente de conhecidos e voluntários.
Entre eles está Gabriel Corgosinho Nogueira, brasileiro que vive na Argentina desde 2024 e enfrenta perseguições por ter ido a Brasília em janeiro de 2023. Ele relata que acompanhava Sirlene semanalmente, junto com outras pessoas, e que a mudança para Buenos Aires tornou o contato quase impossível.
“Aqui em Posadas eu, “Cida” e “Lau” estávamos visitando-a semanalmente e outros brasileiros também conseguiam vê-la, mas agora ela está bem mais isolada. Inclusive era muito mais fácil para os advogados dela visitarem na prisão”, escreveu Gabriel em um apelo enviado à reportagem.
Segundo ele, a brasileira enfrenta barreiras linguísticas, culturais e emocionais dentro da unidade prisional.
“Ela passou Natal, Ano Novo e todo esse tempo dentro de uma cela com pessoas de outra cultura e idioma. Só pela graça de Deus conseguimos suportar o peso do tempo prolongado”, afirma.
Processo de extradição e expectativa por audiência
De acordo com Gabriel, o advogado argentino que representa Sirlene deve protocolar nesta semana um pedido de audiência para revisar sua situação. Ele afirma que a transferência para Buenos Aires dificultou o apoio humanitário. “Ficou mais desumano, por dificultar acesso da família e dos amigos que levavam ajuda”.
A extradição de brasileiros que solicitaram refúgio na Argentina tem sido tema de debates entre autoridades dos dois países. O governo brasileiro formalizou pedidos de extradição, enquanto advogados e organizações civis defendem que cada caso seja analisado individualmente, conforme prevê a legislação internacional de refúgio.
Apelos por apoio institucional
No texto enviado à reportagem, Gabriel questiona se organismos internacionais, como o ACNUR, ou entidades de direitos humanos na Argentina poderiam auxiliar na aceleração da audiência ou na garantia de condições adequadas de detenção.
Ele também sugere que parlamentares brasileiros e argentinos estabeleçam diálogo para acompanhar o caso.
“Será que deputados ou senadores do Brasil não poderiam fazer mais contatos com outros deputados aqui?”, escreveu.
Solidariedade e tentativas de manter contato
Gabriel afirma temer que Sirlene se sinta abandonada após a transferência. Ele compartilhou números de telefone do presídio, incentivando que pessoas liguem para enviar apoio emocional — prática comum entre grupos de solidariedade a detentos.
Colônia Penal de Ezeiza — Pavilhão 5 UR2
Telefones informados por Gabriel, que dão acesso direto para qualquer pessoa conversar com Sirlene: 011 6240 8545, 011 6070 2100 e 011 6070 4445.
Publicar comentário