Ana Maria Cemin – 7.01.2026
Essa família da imagem está vivedo um sonho. Isso porque a justiça argentina iniciou nesta quarta-feira, 7 de janeiro, a liberação gradual dos cinco brasileiros detidos no Complexo Penitenciário Federal de Ezeiza, em Buenos Aires. Embora todos tenham recebido alvará de soltura ainda em dezembro, apenas hoje dois deles — Joelton Gusmão de Oliveira e Ana Paula de Souza — deixaram oficialmente o presídio, ambos em regime de prisão domiciliar e monitorados por tornozeleira eletrônica. Joelton, que está na foto com a família, estava preso no país vizinho desde o final de 2024.
O terceiro liberado, Rodrigo de Freitas Moro Ramalho, tutor de uma família com a síndrome dos “ossos de vidro” chegou a sair do presídio, mas precisou retornar para ajustes no sinal da tornozeleira. A expectativa é que ele volte para casa ainda hoje.
Os outros dois detidos — Joel Borges Correa e Wellington Luiz Firmino — permanecem em Ezeiza devido a um atraso na assinatura dos responsáveis legais, conhecidos como tutores, exigência obrigatória da Justiça argentina para a concessão da prisão domiciliar. A liberação de ambos deve ocorrer nas próximas horas ou dias, assim que a documentação for regularizada.
Como funciona a saída
Segundo familiares, o processo de soltura envolve uma série de verificações burocráticas: cada preso precisa indicar um responsável legal residente na Argentina, com DNI e endereço fixo; a polícia deve inspecionar previamente o local onde o preso cumprirá a prisão domiciliar; e a residência precisa ter internet estável, condição necessária para o monitoramento eletrônico. Somente após todas essas etapas a liberação é autorizada.
Nas próximas semanas, os cinco poderão solicitar autorização judicial para trabalhar fora de casa, desde que apresentem endereço de trabalho e aguardem aprovação formal da Justiça argentina.
Apesar do avanço na soltura, o futuro dos brasileiros na Argentina ainda é incerto. Todos respondem a um processo de extradição solicitado pelo governo brasileiro, sob o argumento de que foram condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília. As penas variam entre 13 e 17 anos de prisão.
A defesa dos cinco recorreu da decisão de extradição proferida no final de 2025, e o caso agora aguarda análise da Câmara, segunda instância da Justiça argentina.
O processo também envolve um elemento adicional: todos os réus solicitaram asilo político ao governo argentino. A Comissão Nacional para os Refugiados (CONARE) já informou ao juiz que não fornecerá detalhes sobre os pedidos, por serem sigilosos, e reiterou o princípio internacional da não devolução de solicitantes de refúgio.
Mesmo após a decisão judicial, a palavra final sobre a extradição caberá ao presidente argentino, Javier Milei, conforme prevê a legislação do país.
Quem são os cinco presos de Ezeiza
- Joelton Gusmão de Oliveira
- Rodrigo de Freitas Moro Ramalho
- Joel Borges Correa
- Wellington Luiz Firmino
- Ana Paula de Souza
Todos foram detidos no fim de 2024, após deixarem o Brasil e pedirem refúgio na Argentina. Há ainda uma sexta brasileira, Sirlene de Souza Zanotti, presa em Posadas (Misiones) no início de dezembro. Sua situação permanece sem atualização oficial.
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