Ana Maria Cemin – 27/11/2025
Depois de 18 meses separados, finalmente o casal Jamildo Bomfim de Jesus, 63 anos, e Maria Irani Teixeira Bomfim, 56 anos, voltou a se encontrar. Ontem à noite, 26 de novembro, na casa em Brasília, os dois puderam se abraçar novamente, agora sob o regime de prisão domiciliar humanitária.
Ambos foram condenados a 14 anos de prisão pelos eventos de 8 de janeiro de 2023, mas a saúde debilitada abriu uma brecha para que pudessem cumprir parte da pena em casa.
Jamildo havia sido preso logo após os ataques, em janeiro de 2023, e permaneceu no Centro de Tratamento e Ressocialização (CTR) da Papuda até 14 de outubro de 2025, quando o Supremo Tribunal Federal autorizou sua prisão domiciliar por causa de doenças graves, incluindo hipertensão, arritmia e suspeita de artrite reumatoide. O idoso ficou cumpriu 2 anos e 3 meses no presídio, mas a sua saúde degenerou terrivelmente.
Maria Irani, por sua vez, foi detida em diferentes momentos: inicialmente em 2023, depois reconduzida em 19 de junho de 2025 novamente ao Presídio Colmeia, e somente agora, em 19 de novembro de 2025, recebeu autorização do ministro Alexandre de Moraes para cumprir dois meses em casa, após cirurgia realizada no Hospital Medsenior de Taguatinga, DF, com recomendação médica clara de recuperar-se em ambiente limpo.
A NOITE DO REENCONTRO
Ontem foi a noite de reencontro e foi descrito por familiares como emocionante e doloroso. Depois de tanto tempo em celas frias e ambientes hostis, o casal se viu novamente dentro de casa, tentando se situar em um espaço que já não parecia o mesmo. É como se estivessem reaprendendo a viver em casa.
Apesar da fragilidade física de ambos, há felicidade no ar. Irani, ainda em recuperação da cirurgia, pensa em preparar um arroz com galinha, prato simples e afetivo, para celebrar a volta ao lar. Porém, a alegria é acompanhada de uma sombra: ela sabe que a sua prisão domiciliar é temporária, apenas dois meses, e confessou que isso lhe parece deprimente, como se fosse uma trégua curta em meio a uma longa batalha pela justiça.
8 DE JANEIRO DE 2023
A história do casal começou a se transformar naquela tarde fatídica quando voltava de uma viagem à roça em Formosa, GO. Maria Irani viu vídeos no celular mostrando movimentações na Praça dos Três Poderes e, movida pela curiosidade, insistiu para que o marido fosse até a Esplanada com ela. Jamildo, cansado da estrada, relutou, mas acabou cedendo.
Chegaram às 16h32. Pouco depois, às 16h45, já estavam algemados. O GPS do celular de Jamildo registrou cada passo, provando que eles haviam acabado de chegar e não tiveram tempo sequer de entender o que acontecia. No meio da confusão, com helicópteros lançando bombas de gás e pessoas correndo, buscaram abrigo em prédios oficiais. Esse gesto, interpretado como participação nos atos, foi suficiente para que fossem incluídos no Inquérito 4922 do STF e condenados a 14 anos de prisão.
PRISÕES E CONDENAÇÕES
Jamildo foi o primeiro a ser levado para a Papuda, onde permaneceu por mais de um ano em condições precárias de saúde. Maria Irani, por sua vez, foi presa em diferentes momentos, inclusive em datas simbólicas como o feriado de Corpus Christi.
Ambos foram condenados a 14 anos de prisão por crimes como associação criminosa e danos ao patrimônio público. A defesa sempre alegou que não houve participação ativa nos atos de depredação, mas o processo seguiu seu curso implacável.
A LUTA PELA SOBREVIVÊNCIA
O reencontro de Jamildo e Maria Irani é uma história de resistência. Sua história desde 2023 é o retrato das contradições da justiça brasileira e das consequências desumanas de decisões políticas e judiciais. Depois de 18 meses separados, estão novamente juntos, mas eles carregam consigo o peso de uma condenação longa e de um futuro incerto. Pelos próximos dois meses eles farão a experiência de ter de volta um pouco de normalidade, mesmo sabendo que estão em prisão domiciliar, sem direito a colocar o pé fora da porta para tomar um banho de sol.
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